terça-feira, 26 de julho de 2011

Cigarette Blues

Me vê um sereníssima, filtro azul, maço.
Tenho por hábito fumar minha tristeza. Acho que a calmaria está na vingança indireta. Como se me matar um pouquinho fosse valer de um ato corajoso de maltratar a quem minha vida valoriza o respirar. Geralmente são esses a fonte dos meus pesares, os demais, pouco me importa. Ou talvez seja só a sensação que fornece a nicotina. As arestas estão aí pra machucar. Pois bem, que machuque.
Sempre fui fã de Lupicínio no escuro da porta Fechada. Afinal, a dramaturgia nunca teve a ver com maturidade nem com racionalidade. Os olhos bonitos, que por hora te tiram o sono, te provocam estafa pela manhã. Canso, fumo...
...o que em demasia compromete o coração.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sabe, eu nunca fui muito dessas sentimentalidades (...)

Tava ali, abarrotando o balcão e atrapalhando o meu acesso à próxima cerveja. Eu já tinha bebido demais pra poder ter ciência do que realmente aconteceu, ou melhor, de como aconteceu. Só sei, e sei bem, que o que normalmente resultava em um apertar de lábios e franzir de testa, acabou em beijos a granel. Talvez por ele ser bem mais digno de complacência do que as “panteras” beiradas no balcão à espera de alguém que lhes pague “um drink”. Ou talvez tenha sido pelo porte grande, o rosto bonito e o cheiro bom. 

Fiquei a noite toda escorada no balcão.

Sabe, eu nunca fui muito dessas sentimentalidades, mas de uma certa forma fui permitindo que ele me visse durante a semana, que achacasse meu pijama e esquentasse meus pés nos dele. E eu que sempre fui de correr sozinha por aí, passei a ter medo do momento em que ele diria que está tarde e que precisa ir embora. As vezes ele vai, mas volta rápido. Penso, sorte a minha, enquanto concluo que fica tudo tão mais chato sem ele.