Há tempos, mãos, boca e feições tentam explicar a que ele veio. Desde muito antes do long play, das estrofes rimadas, do buquê de rosas, e dos cartões coloridos, foi dado nome a um sentimento estranho, que causava alterações físicas como suor, taquicardia e até mesmo dor. Como acontece com tudo que não se pode explicar, criou-se um deus e nomeou-se, nesse caso chamou-se amor. E aí ele foi tomado como algo realmente absoluto e grandioso, capaz de trazer montanhas a Maomé, e tudo passou a valer a pena em nome do dito cujo, afinal, amor é um sentimento nobre, não é? Bom, dizem que sim.
Faz-se loucuras por amor, a depressão é valida em nome do amor, em alguns casos, de que mal morrer, se for em nome do amor? Ao fim de tudo, o amor virou nada mais que uma grande desculpa pra humanidade agir sem razão. Não é ciúme dos filhos, é amor de mãe. Não é insegurança entre casais, é demonstração de amor. Não é fanatismo religioso, é amor à fé. Não é guerra, é amor à pátria. Tudo isso acontece, porque cada indivíduo na amplitude dos seus anseios, medos, necessidades e acima de tudo dúvidas, não compreendeu ainda o que é esse tal amor, mas ao mesmo tempo não tem medo de usá-lo. É como pilotar um avião sem nem mesmo ter brincado com um simulador em um vídeo game qualquer. E a culpa de tudo isso, é da tal mania que o ser - humano tem de dar nome aos bois, de querer explicar as coisas, quando no fim não conseguem ir além das asas de Ícaro.
... Mas tantas foram as vezes em que tive a cera derretida ao sol!