segunda-feira, 21 de março de 2011

Código Verônica

Verônica lhe deu as costas, fechou os olhos e lhe pediu que fosse embora sem que olhasse pra trás. O espelho se quebrou de auto-piedade. Sentou naquela poltrona reformada de veludo bordô, acendeu o cigarro sombreado pelas pálpebras inchadas e fumou sua tristeza. Nunca imaginou que um dia seu castelo incendiaria, pensou que nunca passasse das cortinas. A próxima reação foi o fogo, queimar o passado em uma garrafa de gim e ao último fósforo que beirava o fogão.
Verônica sentia um trançar de ódio, dor e medo. Mas a conformidade de certa forma lhe acalantava o peito. Quase podia ouvir o ufa, de um coração incendiado. O amor é sadomaso, e como qualquer outro, ela também costumava sentir vida na dor. E dor era tudo aquilo que Marcos melhor sabia lhe proporcionar. Talvez por isso tanto amor.
Após exausta cair por sono, curvada sobre um tapete tão abatido quanto ela, ao acordar não sentiu o corpo reclamar. A vontade de viver e mostrar se estar vivendo lhe provocava muito mais. Tomou seu banho de recomeço e resolveu parar de ter pena de si. Vestiu-se, pintou os olhos, mas não perfumou-se. Chega de artificialidades, sonhos de âmbar. A vida não passa de carne e pêlo.  

domingo, 13 de março de 2011

Trova miúda a respeito das maiores coisas da vida

O gosto da cerveja com o cheiro do incenso tem o frisson da liberdade. Só me falta o tragar de um Free azul. O amor de vocês eu ainda tenho. A minha casa fica no mesmo lugar. A minha cama dura também mora lá. O sofá ainda é vermelho. E o meu porta jóia ainda é cinzeiro. 

terça-feira, 1 de março de 2011

Inacabado

Braços, pernas, tronco, mente. Ficou tudo lá. Entrei pela porta de trás do ônibus, errei o corrimão, apertei o dedo na porta. – Onde você está com a cabeça Bruna? Sei bem, mas não conto! ...nem pra mim.
Neguei o café da manhã, almocei pela metade, dormi as 20 acordei às 8. No dia seguinte dormi de luz acesa. E acordei querendo ficar na cama. Só eu e o teto branco, companheiro das aflições que me tiram o sono. Aflição de beijos perturbadores.