Deus, diante da minha pequenez comparada a uma força tão divina como a de amar, elevo minhas suplicas à ti, já que sempre me ensinaram que nas piores situações tu podias me ajudar. Não estou em situação de analisar céticamente tua existência, nem em me fazer perguntas sobre os maiores mistérios da humanidade. Neste momento sou apenas quem nada cansado longe a beira da piscina profunda.
Te peço paciência, para conseguir esperar quem tanto quero, sem meter os pés pelas mãos, ou agredir meus objetivos e princípios. Que minha pressa de viver não me permita prostituir meus mais puros sentimentos com qualquer corpo que não seja feito com molde ao meu. Que eu me convença, que o brilho da retina dele, não pode ser, mesmo que de forma forçada, encontrada naquele outro. Me conceda a serenidade para que eu siga meu caminho independente do rombo que existe em meu peito, o mesmo qual insisto em esconder em meio a toda essa alegria que ainda não me abandonou.
Dê-me sanidade para que eu não enlouqueça em caso de ele encontrar um outro alguém, quanto menos as tantas bocas onde ele vá repousar. Que eu não amaldiçoe cada maço de cabelos que se enrosque ao seu braço. Que os maus pensamentos não me façam perder nem a razão nem o merecimento. Que eu resista a cada noite perdida pela falta de sono, e a cada sono perdido pelo excesso de pensamento. Que o teto branco não me pese tanto.
Conserve aqueles olhos infinitos, dos quais me lembro tanto. O cabelo macio e o jeito infantil. Que ele continue com toda aquela doçura e inocência, mesmo que as coisas tenham mudado um pouco. Que ele toque as mesmas músicas, mesmo que ele não lembre que são minhas preferidas. Que ninguém possa conhecer os seus detalhes e mistérios mais do que eu. Que a risada dele não seja tão sonora pra ela quanto é pra mim. E principalmente, que eu pare de ouvir a risada dele naquele que não quero, mas quero bem.
Independente de premissas e promessas sigo com fé. Fé no que quero, por ter fé em acreditar. Que assim seja.