terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mas eu não faço cinema

Enquanto algumas pessoas montam um capítulo de minissérie para atingir os picos de audiência, outras se restringem a ignorância de responder, mas eu não faço cinema, eu faço química. Tu sabe de quem eu to falando, né? Eu sei, todo mundo sabe.
É que eu decidi que chega desse papo de autocensura. E eu lá sou mulher de levar pensamento pro tumulo? Não enquanto tiver uma língua bem grande e um raciocínio bem apurado, coçando enquanto falam e fazem cagada a vontade por aí. Quer saber? Leia atenciosamente uma a uma das minhas palavras e descubra.
Sempre te amei, deixei de te amar, nunca te amei, talvez nunca vá te amar. Mas me apaixono a cada mês por um sorriso diferente. Paixão a qual geralmente dura esse mês dividido por quatro.
Ta confuso né? É só um surto de raciocínio. Adoro quando sai assim, desabafado. Sem correção ortográfica, sem essa balela de concordância. Assim fica mais fácil encontrar quem se encaixe. Na bagunça todo o lugar é o certo, e o que se procura acha. Vai ver é por isso que ele ta toda hora me procurando, me perdendo e me encontrando por aí. Embriagada, esquecida da raiva. Ou quem sabe do ultimo tapa que dei nele. Eu sou uma bagunça mesmo.
Não que eu ache isso ruim. Na verdade eu gosto. Mas por aquele outro eu dobrava até as meias. Largava o bar, parava de comer carne, e até parava de andar de pés descalços. Sabe lá quantos sorrisos mensais ainda vou encarar nesse meu clima baderneiro. Não é ruim. Sabe, eu até que gosto bastante. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Justinho você

Aquele sorriso lindo iluminou a sala. Pude perceber quantos cigarros tinham no cinzeiro, quantos livros preenchiam a estante, a desordem, do lugar e dos meus pensamentos. Enfatizamos aquele “Há quanto tempo”, o mesmo qual só serviu pra me lembrar que não o via tempo suficiente para esquecer o que é amar.
Tentei não ficar olhando demais, sabe? Tentei não parecer ridícula por querer reviver uma história que não é mais minha. Tentei não demonstrar gostar tanto daqueles olhos grandes e infantis. Nem daquela risada desprendida, bonachona. Mas não tive como evitar precisar respirar profundamente por 5 segundos antes de dar bom dia, no dia em que encontrei o apartamento minado com o perfume de sempre.
Houve momentos em que eu não soube o que fazer com as mãos, houve momentos em que eu não soube o que responder, houve momento que eu só queria passar um café, te pedir pra ir embora comigo, ou aquele beijo que há anos não tenho. Te contar sobre as infindas cartas que te escrevi e nunca te mandei, de todas as fotos que guardo carinhosamente em uma pasta com um nome que nos é familiar. Poder voltar a ouvir aquelas musicas que excluí permanentemente da minha playlist. Mas acontece que sou tão durona quanto covarde, e quando a emoção me toma o peito, afasto as mão de mim e me concentro no detalhe da cortina mais próxima. Queria não insistir em tentar transparecer seres tão pouco importante pra mim quanto eu sou pra ti, que acho este sentimento insistente tão ridículo quanto teimoso. Não dá.
Talvez seja porque quando te tenho por perto, todos os outros amores parecem feitos de plástico, ou quem sabe, porque ainda és o dono dos olhos mais lindos que eu já conheci.