quinta-feira, 28 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Bailei na tua cabeça erguida
Olhos de animal. Era assim que ele me olhava. Como um pedaço de carne envolto ao desejo do estraçalho. Bem era de se compreender. Nada mais arriscado do que brincar com a vaidade de um homem, como se fosse o bibolquê que no erro se suspende pela corda. Quando se trata da vaidade de um homem, não existe corda. Não foi com um, nem com dois, nem com três. Foi com o que mora ao lado, mas com o que mora longe também. Bailei na tua cabeça erguida.
Te deixo louco. A sensação de poder me toma, ou ver que tirei o total controle dos teus atos, dos teus braços. Me açoita com injúrias. Me chama de piranha, me cospe a cara. E eu rio. Rio porque gosto!
Não escondi nada de ninguém Não me perguntasses, não te respondi. Sempre esteve alí, escancarado pra quem quisesse ver. Esfreguei outros cheiros na tua roupa de cama e tu nem se quer percebeu. Tua atenção não existia nem na dor da percepção. Precisou ser assim, escancarado! Marcas profanadas de uma noite que se foi, diante de mais um sexo insosso ao meio dia. Foi a luz da janela que te fez notar em mim.
Continuo rindo. Rio porque és trouxa! Rio porque sinto raiva, sinto nojo. Rio porque sempre fostes frio! Porque nunca curei em ti a febre que existe em mim. Rio porque nunca podes fazer eu realmente ser apaixonada por ti. Rio porque és sem graça, é mecânico. Rio de ódio! Rio de prazer.
Me bates enquanto choras. Fraco! Eu apanho e rio, rio muito mais. Hoje sei que a glória da vingança tem gosto de sangue. E que quem perde, perde de pé e quem ganha, ganha ajoelhado como uma prostituta humilhada. Eu rindo, você chorando.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Entre um gole e outro
Não sei se é o gosto do cigarro, dos velhos amigos ou da casa da avó que já se foi, mas eu adoro um café!
Não sei se é o teor despertativo, o cheiro característico, ou a cor que me identifica, mas eu realmente não imagino meus dias sem meu amigo preto. Queres? Com ou sem açúcar? No copo ou na xícara? Forte ou fraco? Quente ou gelado? Quero, pouco açúcar, no copo, bem forte e bem quente, por favor. Ela chegou com aquele quadril de "Deus quem fez", me serviu, a Madalena e fez-me sentir seu malandro. Doce! O liquido dos despertos me adoçava como provavelmente fariam os beijos da galega. -Tá bom de açúcar? - Sacudi a cabeça positivamente. Havia deixado que minhas papilas gustativas fossem iludidas pelos meus olhos fantasiosos. - E pra comer? - Perguntou-me enquanto limpava a mesa com movimentos circulares sobre a flanela. - Quer que eu responda? - Pensei. - Queijo quente. - Respondi.
Era bom pedir lanches quentes, já que o fogão ficava logo depois do balcão. Ver o rebolado entre uma virada e outra do pão, me valeria qualquer azia. Condena-me pelos meus pensamentos maliciosos, talvez sujos. Mas só o fazes porque não frequentas a lanchonete de esquina com fachada amarela. Só podia ser ali, pra que nós, de meros olhos tristes pudéssemos olhar pra ela panoramicamente enquanto passamos. Se conheceres esta pequena, certamente não só entenderás, como também virarás amante ocular de todas as formas e circunferências que pousam naquele corpo. Pousam feito música!
Comi, bebi, agradeci à ela com um sorriso. Com as duas mão no bolso, agora eu sei, não tem nada a ver com amigos, cigarro, ou lembranças passadas. Tem a ver com ela mesmo.
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