Vinte e um! Quantas pessoas fizeram parte de cada um deles? Não sei responder assim como provavelmente tu também não saibas, mas assim como tu, também sei citar aqueles que passaram por mais de um deles. Assim são feitas as relações entre seres humanos, assim são feitas as amizades, assim se constroem sentimentos como confiança, cumplicidade, carinho e algumas histórias pra poder contar. Eu sempre tive pra mim que estas relações devem além de serem cultivadas, serem primordialmente respeitadas. São sagradas! E baseada nesta minha concepção sempre levei muito em consideração o que um ato meu pode vir a resultar na vida daqueles que fazem parte de mim. Por isso talvez seja natural essa minha mania constante de esperar que isso me seja devolvido, e por isso algumas vezes crio grandes frustrações e me vejo abrigada a me refazer por inteiro, naquele espirito “reset”, afim de processar o ocorrido e coloca-lo na gaveta específica da ordem dos acontecimentos.
Mas passos são dados, mesmo que um pra frente e dois pra trás, o importante é que só se pode andar quando se tem as pernas! Isso me leva a insistir em diversas destas relações, se me decepcionou “não deve ter sido por mau”, se mentiu “pensou no meu bem”, se traiu “somos todos seres humanos”. Mas até onde essa lógica me leva a relações saudáveis e reais? Será que não estou criando pessoas na minha cabeça? Mas mesmo com a cabeça entupida de “porquês”, ando enquanto penso.
Ontem alguma coisa mudou. Perdi as pernas! E com elas o controle e quem sabe até a rasão, mas convenhamos “somos todos seres humanos” e se eu quiser pagar um erro com uma atitude mergulhada na mais pura ira, é direito meu, afinal, já te deixei errar tantas vezes. Evitei promessas, abusei nas maldições e agora deixo sangrar. Quanto ao que vai acontecer, não preciso dizer, até porque não me foi pedido adivinhar o futuro, mas gosto da ideia de me guardar no direito de escolher quem quero por perto.
Quanto a despedidas, me despeço de mais uma gaveta vazia, que mesmo que vazia, só pra mim pesava demais.
Era uma vez uma história que acabou em uma carta.