segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu não quero ser feliz!

Penso comigo: As pessoas almejam de forma tão previsivel essa tal felicidade, será que não pensam elas no peso de conquistá-la?! Será que elas já pararm pra pensar realmente no que elas estão desejando?

Ser feliz é um saco! É parado, é previsível. E vai chegar a hora que ele vai te enjoar.

Pessoas felizes não conhecem emoções, nem as ruins e tão pouco as boas. Não conhecem, porque o real sentimento de felicidade vem apenas após uma tristesa muito grande. Quanto maior a tristesa, mais feliz se fica quando passa. E como é gostoso ficar triste! Por mais que tu te sintas a mais infeliz das criaturas, tu te sentes acima de qualquer coisa VIVO! Não existe nada maior e nem melhor do que isso.

Pessoas felizes, buscam, alcançam, e percebem que aquilo não era bem aquilo tudo. Mas elas queriam, conseguiram e logo se denominam felizes por isso. No fundo, no fundo, não passam de grandes farçantes de si mesmos.

Eu não quero durar até os 80. Não quero casar de branco. Não quero um marido que não beba, fume, me traia ou que não tenha manias irritantes. Não quero uma casa com varanda, muito menos fazer churrasco com casais de amigos aos domingos. Não quero um filho que não suma nos finais de semana, nem uma filha que não foda. Não quero passar o feriado em uma fazenda na casa dos meus sogros, e também não quero andar num carro que me faça esquecer como era bom pegar carona com os amigos. Não quero beber só no ano novo, nem ter uma alimentação saudável . E acima de tudo, não quero acordar todos os dias da minha vida esperando “ser feliz” para começar a viver.


Ser feliz desgasta e uma hora a felicidade acaba ficando chata!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Silvia

O seu nome era Silvia. Podia percebe-lo anexado acima do seu peito em um crachá oito por cinco cor lilás.
Seus lábios que se moviam em tom mecânico, se confundiam com a cor da pele, pele esta pálida como o susto, adornada por uma pigmentação enferrujada. Era feia! Mas como sabia se fazer bonita enquanto me explicava as vantagens da máquina horizontal perante a vertical.
- Em quantas vezes moço?
Eu nem se quer havia percebido qual eu tinha escolhido, estava enfeitiçado com aquela face atipica.
- Pode ser em oito? - eu perguntei.
Essas são as vantagens de se comprar nas Casas Bahias, você paga caro pra caramba em uma porcaria, mas na hora de pagar ela parece tão barata que nem a qualidade importa tanto.
- Pode senhor. Mandamos entregar em casa?
- Sim, sim! Rua das flores 803. Qualquer horário do dia, de qualquer dia. A não ser de segunda a sexta em horário comercial.
Deixei meu endereço e fui embora. Fui embora satisfeito por aquele instante de magia. Minha vida é um tanto quanto parada, acordo 7h, levanto, visto os chinelos, caminho sonolento até a cozinha, tomo uma xicara de café soluvel. Vou até o banheiro, lavo o rosto, escovo os dentes. Me dirijo até o quarto, me visto de camisa cinza, calça azul marinho, gravata da mesma cor, e um crachá cinza e azul marinho. Calço meus sapatos, vou até o banco. Atendo idosos, gravidas, deficientes fisicos, mulheres com criança de colo e lactantes. Ninguém com tempo de me contar uma história diferente ou reclamar do marido autoritário, ou do filho irresponsável, tempo este que nem tenho eu. Almoço no restaurante do lado, volto pro trabalho. Saio do trabalho vou pra casa, tomo banho e ligo a televisão e pronto! Morreu meu dia! Mais um dia que se foi, sem nenhuma emoção, sem valer a pena, sem valer ter levantado, mais um dia que não vai voltar.
Eu sei, é meio frustrante, mas é oq eu tenho. Minha mãe me visita um domingo sim e um não, o que torna meu viver ainda um pouco mais rotineiro.
Era sexta-feira, e eu estava a caminho de casa, pronto pra mais um fim de dia em frente a tv, com os mesmos episódios repitidos das mesmas séries imbecis. Cheguei, fiz um macarrão instantaneo - a comida de quem é sozinho, e que faz estes se sentirem ainda mais sozinhos a cada prato - sentei na frente da tv e esperei. Esperei a noite e o sono. Mas eles não vieram. Teria eu até ficado feliz com aquilo tudo, afinal de contas era algo qaue fugia da minha rotina desgraçada, isso se não tivesse faltado a maldita luz do meu maldito bairro. Mas a campainha tocou! Só podia ser algum vizinho idiota dizendo "Olha só, você viu que faltou a luz?" ou "Faltou luz aí também?". Pus uma vela em mãos e me vesti de surpresa quando ao abrir a porta dei de cara com familiares sardas vermelhas um nariz esguio, grandes olhos e lábios finos. Era Silvia!
- Oi, sei que você deve estar perguntando o que estou fazendo aqui. Mas na verdade eu não vou saber te responder pq na verdade, bem na verdade, nem eu sei ao certo. Na verdade estou me sentindo uma boba por estar batendo na sua porta assim, essa hora da noite, no meio de uma queda de luz. Principalmente pelo fato de o senhor ser um desconhecido pra mim. Não sei se você se lembra de mim?! Meu Deus que vergonha! Eu perdi o juizo, eu perdi a razão. Mas dês do dia que o senhor esteve na loja comprando uma maquina de lavar horizontal existem duas coisas que não em saem da cabeça: O seu olhar perdido enquanto me falava, e o seu endereço "Rua das Flores 803".
Essas palavras sairam de sua boca como um soco! Seco, rápido e inesperado. Ai só pude pensar em uma coisa: Realmente, é uma mulher feia! Mas como se faz bonita quando tenta justificar o absurdo. Em frente a minha casa havia um Chevete cor de papel envelhecido, com os faróis ligados e as portas abertas. Imaginei ser ele de Silvia.
A peguei pela mão, saí pela porta, a fechei e a levei até o carro. Sentei no lado do carona. Ela meio sem entender sentou no lado do motorista. Liguei a luz interna e então falei:
-Pronto, agora podemos conversar.
Ela ligou o carro, e ficou dando voltas na quadra, sem uma única palavra. Eu também não falei nada. Depois de uma hora, ela parou na frente de minha casa, agradeceu a companhia. Eu desci, caminhei até minha porta, a abri, entrei e a tranquei.
Silvia me roubou o tédio, Silvia me roubou o sono. Passei o resto da noite esperando que o teto do meu quarto me desse a resposta para o que havia acabado de acontecer. E ele também não soube me responder.