domingo, 28 de junho de 2009

Dessa vez

Eu bem disse a ela: Não batas esta porta, ou não voltes mais! Mulher teimosa! Sempre foi! Aquele tom de soberba, aquele peito estufado, sempre soube que acabaria assim. Já dizia minha mãe: O peixe morre boca. Malcriada! Ô mulher malcriada! Sempre fez questão de fazer da falta de respeito sua fonte de respeito. Mas eu bem avisei! Não quis me ouvir: Atirou-me um belo de um palavrão e bateu a porta com agressão. E agora ta aí. Parece uma menina, com os olhos grandes, me pedindo berço. Pois não dou! Vou gritar, de modo que fique bem instalado naquele ouvido de megera indomada: Não te quero mais! Vou retribuir cada sapo-boi que tive que digerir em apenas quatro palavras. E de quebra ainda acho tamanha formosura, que ela mal possa mensurar. Assim será! Mesmo que isso me custe a vida, mesmo que isso me custe ela.

Arranhacéu


Se aproximou,acariciou o peitoril com a almofada dos dedos.

Um suspiro profundo.Apertou os lábios como se faz nos invernos, e fez outra vez aquela conhecida e tortuosa retomada de pensamentos. Buscou uma ultima tentativa de solução, mas não conseguiu alcançá-la.

Estava frio, e ela o sentia nos braços e nas maçãs. Olhou para baixo, tentou se vestir de coragem. A fraqueza era tanta -era tanta e ali estava-, e nem mesmo a mais covarde das coragens lhe tomou os gestos. E ela chorou como nunca havia chorado.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Continuidade


Eu queria te convidar a fazer parte da minha vida.
Não é nada tão grande, não é nada tão forte, mas é quente, quente feito pão novo recem saido da padaria.
Queria que você viesse, ao ponto de poder sentir como é ser eu, de decorar todas as tonalisdades de sorrisos e a angulação entre o queixo e o pescoço.
Não será lá muito fácil, afinal não sou exemplo de certeza, de padrão, de equilibrio, mas com o tempo meus defeitos te serão travesseiro.
Gosto de chimarrão todas as manhãs, do sol no frio das tardes e de noites longas, longas ao ponto de se ter medo de dormir, de sonhar.
A propósito, detesto sonhos noturnos. São frustrantes, confusos, irreaism ora por não se gostar do sonhar, ora por não se poder voltar ao sonho enterrompido.
Mas relaxa, até porque isso tudo não é um manual, eles nem sequer existem. Hoje é assim, amanhã provavelmente não será. Só quero que faças parte, do meu e de mim.