Em mais uma noite, em um pub na pequena cidade onde moro, estávamos eu e um velho amigo em meio a uma longa e saudavel descussão, quando nos surgiu um assunto interessante, porem inoportuno para a maioria das pessoas que frequentam aquele lugar.
Ao analisar a decoração do lugar, recheada de quadro de heróis da música, afundados em suas mulheres (ou homens), garrafas de álcool, drogas e em sua língua estrangeira, pensei: Quando crianças, temos duas concepções de heróis, os de carne e os de papel. Os de carne, são nossos pais, irmãos mais velhos, pessoas que admirávamos e saudavelmente invejávamos e sonhávamos poder algum dia ser como eles. Os de papel, são aqueles que acompanhávamos em quadrinhos, televisão, os que não queríamos esperar crescer para se igualar. Fazíamos armas de lego, capas de lençol e brincávamos de lendas!
Agora que somos jovens, invejamos antigos jovens, que fizeram exatamente tudo aquilo que a sociedade condena! (Por que condena?)Não sou analista, mas é um tanto quanto óbvio pra mim que hoje nossos heróis não passam de uma fuga para nossa obscura necessidade marginal! Queremos aparecer! Queremos fazer barulho! Mas as teias da padronização social são o ar que nossos pumões respiram! Não podemos (e não queremos) ser " a adolescente gravida", "o drogado", "o álcoolatra". Precisamos (mas nem sabemos se queremos) estudar, fazer dinheiro (de preferência honesto), ter filhos ( depois de enriquecer) e por aí vai! Assim como quando pequenos (como se crescer fosse sinonimo de racionalidade) nos apoiamos em heróis invejáveis: aquela criança não pode voar, você não pode decepcionar seus conservadores pais!
A criação do herói se faz sob a mesma necessidade da criação de um Deus, uma simples fraqueza humana!
* Não estou entrando no contexto da existência, ou não de um Deus. Até porque acho que não tenho real capacidade para chegar a uma conclusão que define um mundo que não conheço por inteiro!